Hambúrguer vegano, batatas no forno e dip de abacate

img_2510

Eu adoro fazer essa receita com as sobras da comida do dia anterior. Me sinto a própria Rita Lobo reaproveitando os alimentos e fazendo economia doméstica. 😛 Geralmente uso o que sobrou do arroz com lentilhas que faço bastante aqui de comida do dia-a-dia. Mas você também pode usar o arroz e feijão que já ficou sem graça na geladeira. Ou grão de bico. Escolha uma leguminosa e fique à vontade! Os adicionais também vão depender do que você tem na sua casa: cenoura, abobrinha, vagem, couve… vale tudo! Para dar a liga, pode usar ovo, mas só com farinha também funciona.

As batatas podem ser doces ou inglesa, mas a que fica mais sequinha e crocante é a asterix! Essa da foto é batata doce orgânica, por isso deixei a casca. E o molhinho que acompanha as batatas é receita da Paola! Bora fazer?

Hambúrguer vegano

  • 1 xícara de lentilhas já cozidas (ou outra leguminosa)
  • 1 xícara de arroz já cozido (de preferência integral)
  • 1 xícara de alguma verdura ou legume ralado ou picado (cenoura, abobrinha, vagem, tomate)
  • 2 colheres de sopa de coentro e/ou salsinha picados
  • páprica picante, sal e azeite a gosto
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo integral

Bater todos os ingredientes, menos a farinha, no mixer até formar uma pasta. Nesse momento, se você já conseguir formar o hambúrguer, nem precisa da farinha, mas dependendo da água contida nos ingredientes que você escolheu, talvez seja um pouco difícil manter tudo junto. Nesse caso adicione a farinha e molde do tamanho que desejar. Se tiver tempo, deixe um minutinhos no congelador, isso vai ajudar a manter a forma. Em uma frigideira anti-aderente, aqueça um fio de azeite e doure os hambúrgueres por 4 minutos de cada lado. Sirva no pão de sua preferência e acompanhamentos: alface, tomate, brotos… Também ficam ótimos assados!

Batatas assadas

  • 1 batata doce grande (ou batata asterix)
  • azeite
  • alecrim
  • sal

Corte a batata em palitos e coloque-as em uma assadeira. Tempere com azeite, sal, alecrim e misture para que fiquem bem cobertas com o azeite. Coloque em forno pré-aquecido a 230 graus e asse por 30 minutos ou até que fiquem macias. Fique de olho e vire as batatas na metade do tempo para não queimar.

Dip de abacate

  • 1 avocado pequeno ou 1/4 de abacate comum
  • 1 colher de sopa de tahine
  • 1 dente de alho
  • 1 colher de sopa de azeite
  • suco de 1 limão
  • sal a gosto
  • 1 maço de coentro picado

Coloque tudo em um mixer e bata até virar uma pasta. Se necessário coloque um pouco de água para atingir a consistência de creme.

Pão de cacau, mel e passas no bourbon ou pão do amor

Mês passado me atrevi a dar uma oficina de pão aqui em casa mesmo para algumas amigas professoras. Achei que seria interessante compartilhar minha experiência com as crianças na escola fazendo pão e é claro, esse conhecimento tão rico, simples e tradicional que é fazer pão com fermento natural. Dei o nome de “Oficina de pão e fermento natural para educadores” e foi uma experiência incrível. Eu fiquei tão feliz de cozinhar e repassar esse conhecimento para agora, adultos! Eu quero muito desenvolver mais oficinas, e por isso abri aqui em cima uma aba no menu do blog para aulas, cursos e oficinas. Se você tiver interesse em ter aulas comigo, clica lá em cima e entre em contato. A ideia é acolher as suas necessidades e fazer algo mais personalizado. Posso te ajudar com receitas vegetarianas, veganas, do dia-a-dia, receitas mais elaboradas ou o básico da cozinha mesmo. Também penso em oficinas para educadores. Algumas pessoas tem me procurado já há algum tempo com dúvidas sobre como e o quê cozinhar com as crianças na escola e esse tema me interessa muitíssimo. Me escreve e vamos conversar sobre as possibilidades. Estou muito animada!

Enfim, a oficina foi aqui em casa e contei com um ajudantes muito especial, o marido <3, que acabou aprendendo a fazer pães também. E como a criatividade aqui em casa é algo abundante, ele arregaçou as mangas e criou dois sabores incríveis! O primeiro foi de nozes e azeitonas pretas e o último que saiu do forno essa semana foi de cacau, mel e passas no bourbon. Gente, como ficou bom ❤ Super diferente e ao mesmo tempo simples. Adoramos a combinação! Usamos a receita que eu já postei aqui, que é semi-integral, mas pensamos que ficaria ótimo usando só farinha branca também. Mas vamos à receita:

1 1/2 xícara de farinha de trigo integral
1 1/2 xícara de farinha de trigo branca
1 colher de sopa bem cheia de cacau em pó
250ml de água
80g (1/3 de xícara) de fermento natural já refrescado
1 colher de sopa de sal
1 colher de sopa de mel
1 xícara de passas hidratas no bourbon

Misture as farinhas, o cacau e a água e deixe hidratando por 20 minutos. Enquanto isso, cubra as uvas passas com bourbon e reserve. Adicione o fermento natural e incorpore-o bem à massa. Adicione o sal e o mel e sove por 10 minutos. Escorra as passas e delicadamente misture-as na massa. Cubra com um pano e reserve até que dobre de tamanho (6 horas ou uma noite na geladeira). Enquanto isso beba o bourbon. 😛 Quando estiver bem fofo é hora de fazer as dobras de reforço: abra um pouco a massa com as pontas dos dedos puxe uma das laterais até o meio e faça o mesmo com a outra. Vire ao contrário e faça o mesmo. A ideia aqui é prender o ar dentro do pão. Nesse momento você também pode modelar o pão do jeito que quiser: redondo, comprido… Deixe descansar por 1 ou 2 horas. Faça um corte com faca ou navalha e coloque em forno pré-aquecido a 250 graus. Assim que colocar a assadeira no forno, borrife água com um spray para que a casca fique mais crocante. Asse o pão por 20 minutos e depois diminua a temperatura para 200 graus e depois mais 20 minutos. Deixe o pão esfriar em um grade para que termine o cozimento. Depois é só aproveitar 🙂

img_2483

Panquecas para o café da manhã das férias

Já faz um tempo eu queria postar receitas para fazer com as crianças nas férias. Ou na escola (para minhas colegas professoras). E essa é uma ótima para começar, pois além de ser deliciosa, é fácil e divertida.

Essa da foto aqui embaixo foi feita durante uma aula particular de inglês com uma criança de oito anos. Foi super divertido e rápido de fazer e ela adorou! Ela mesma que colocou a massa na frigideira e virou e se sentiu super autônoma e feliz por estar cozinhando algo super gostoso! A cozinha é mágica mesmo…

Essas panquecas são aquelas que ficam bem fofinhas e altas, bem no estilo americano. Leva ovos, leite e farinha de trigo, inimigos da alimentação saudável, certo? Errado se você consumir com moderação. Panquecas são parte de um café da manhã especial e provavelmente você não irá (e não deva) fazê-las todos os dias. Maaaas, se você não pode ou não quer consumir esses produtos vou te dar uma dica: substitua o ovo por uma banana amassada, o leite por água ou algum leite vegetal, e a farinha pode ser integral. Nunca testei outros tipos de farinha, mas acredito que dê pra fazer com farinha de grão de bico, polvilho, linhaça ou uma mistura delas.

1 ovo
1 xícara de leite
1 xícara de farinha de trigo
(com esses três primeiros ingredientes já dá pra fazer as panquecas que foi a receita da foto)
2 colheres de sopa de manteiga derretida (opcional, fica mais saboroso)
1 pitada de sal
1 colher de sopa de fermento em pó
(os último ingredientes são pra deixá-las mais saborosas e mais fofinhas)

Misture tudo em uma tigela grande. Aqueça uma frigideira anti aderente e quando estiver bem quente, derrame uma concha da mistura de panquecas. Quando as bordas começarem a ficar mais amarelas, vire a panqueca e vá checando para não queimar. Empilhe as panquecas e sirva com calda, frutas, iogurte ou mel. Nessa da foto usei frutas vermelhas que coloquei uma panelinha com 1 colher de sopa de açúcar e deixei ferver por 8 minutos. Divirtam-se!

 

 

Porquê precisamos prestar mais atenção nos alimentos e não nos nutrientes que estamos comendo

Ovo é ruim. Ovo é bom. Gorduras são horrorosas. Gorduras são ótimas! Glúten faz mal. Glúten não é tão ruim assim.  Você precisa comer proteínas. E cálcio. Cálcio é muito importante. Consuma somente produtos integrais. Açúcar é o vilão. Você já consumiu antioxidantes hoje? Nem pense em carboidratos! O seu iogurte tem fibras? Esse sorvete é gluten free? 

Não é um pouco esquisito que nossas conversas sobre alimentação têm se reduzido tanto aos nutrientes? Pode parecer normal e até um pouco inteligente saber todas as propriedades benéficas (e maléficas) de um alimento, mas para mim isso tem prejudicado muito nossa relação com a comida e ao invés de nos ajudar a ter uma vida mais saudável está só atrapalhando.


O nome de Michael Pollan sempre aparecia em algum artigo ou notícia pela internet, mas eu nunca tinha dado muita bola, até a estreia de Cooked, uma minissérie documental inspirada em seu último livro, Cozinhar – Uma história natural da transformação. Foi instantânea minha identificação com suas ideias. Pollan é um jornalista norte-americano que se dedica, já há alguns anos, a escrever sobre comida e vai além das questões sobre saúde e nutrição. Ele investiga com mais profundidade as dimensões sociais, culturais, antropológicas, emocionais e mais humanas sobre a comida. E é exatamente essa visão sobre o alimento que me encanta.

Depois de ler Cozinhar, parti para o Regras da Comida. É um livrinho (mesmo) muito direto e prático. São 64 regras sobre o como, o quê e quais alimentos devemos comer, mas a introdução é preciosa e resume muito bem esse jeito um tanto esquisito de se alimentar, o nutritionism, termo usado pelo sociólogo Gyorgy Scrinis e popularizado por Pollan. Será que temos que saber exatamente todos os nutrientes que estamos ingerindo a cada garfada em cada uma de nossas refeições?  Eu acho isso muito chato. Até mesmo a Bela Gil me irrita um pouco em seu programa, Bela Cozinha, pois a cada ingrediente que vai cortando, vai nos dando informações e mais informações sobre os benefícios de cada um deles.  E aí começamos um seleção infinita do que é bom e ruim: selênio é bom, glúten é ruim; ômega 3 é bom, lactose é ruim…

Para Pollan, isso beneficia a indústria alimentícia, pois: “o foco é, antes, na identificação do nutriente nocivo da dieta ocidental, para que os fabricantes de alimentos possam fazer pequenos ajustes em seus produtos, deixando, assim, a dieta intacta, ou para que os laboratórios farmacêuticos possam desenvolver e nos vender um antídoto para esses vilões. Por quê? Bem, há muito dinheiro envolvido na dieta ocidental. Quanto mais se processa qualquer alimento, mais lucrativo ele se torna.” (p. 13 Regras da Comida). 

Ou seja, quando demonizamos um nutriente e louvamos outro, estamos desviando a atenção para o real problema de saúde: a dieta ocidental baseada em alimentos ultraprocessados. Pois, se o problema está no nutriente, a solução é fácil: tomamos pílulas e colocamos aditivos nos alimentos industrializados. O caso da farinha de trigo branca exemplifica bem isso. A farinha produzida hoje é tão refinada que ao final o produto obtido não tem nenhum valor nutricional. Bom, poderíamos rever a produção de farinha e trigo, não é? Aprimorar os processos de produção, priorizar a farinha de trigo integral, estudar os melhores tipos de trigo e assim por diante. Mas a solução foi fortificar a farinha. E até hoje comemos uma farinha porcaria e a qualidade da farinha integral produzida aqui no Brasil é péssima. (Os padeiros de fermentação natural que o digam!)

A mesma coisa para produtos sem lactose, com adição de fibras, sem gorduras saturadas…. Esses produtos exibem em letras grandes esses “benefícios”para que você se iluda e pense que está se alimentando melhor ao consumi-lo. Mas será que é verdade? O que é melhor? Um iogurte natural batido com morangos de verdade ou um iogurte grego sabor morango com adição de fibras, proteínas e blablabla?

Bom, mas comer não é só uma função fisiológica, certo? Quando eu escolho comer um iogurte com morango, não é só a fome que determina essa escolha. Motivos culturais, sociais e emocionais fazem parte disso. Ao salivarmos quando vemos um hambúrguer, pão fresquinho ou uma barra de chocolate nosso cérebro não pensa: hum, que monte de carboidratos, proteínas e gorduras suculento e gostoso! ou que monte de glúten fofinho ou ainda, quantos antioxidantes e açúcares deliciosos! Os alimentos nos despertam lembranças e emoções que são parte muito importante da nossa alimentação. A comida também precisa nutrir nossa alma.

Portanto, olhar com mais calma e sensibilidade para nosso alimento faz toda a diferença. Mecanizar nossas refeições está nos tornando menos humanos. E isso inclui fazer dietas. A SuperInteressante desse mês publicou novamente uma matéria de 2009 da Claudia Carmello sobre dietas: Dieta sem segredo e é categórica: nenhuma dieta funciona. E para mim a razão é simples: ao fazer dieta você passa a enxergar somente os nutrientes e calorias da comida e isso não é saudável.

Precisamos nos reconectar com os saberes alimentares antigos, com os ciclos da natureza, entender os processos de produção de comida, e resgatar tradições culturais que falam sobre a comida. E cozinhar nos aproxima de tudo isso. Não vou nem citar os números de pesquisas que comprovam que cozinhar sua própria comida influencia em um melhor peso, melhor saúde e por aí vai. Por isso, ao invés de conversamos sobre os nutrientes da vez, que tal trocarmos mais receitas? Em vez de falarmos sobre dietas, vamos cozinhar juntos. Prepare uma refeição para quem você ama e dedique tempo para isso. Aposte mais na simpleza dos alimentos e das relações.

 

 

 

 

Polenta em Buenos Aires

img_2362

Nossa pequena cozinha em Buenos Aires

Chegamos há alguns dias em Buenos Aires para tirar nossas esperadas férias! Alugamos um monoambiente pelo Airbnb e assim que vi a cozinha já sabia o que eu queria cozinhar primeiro: polenta! Da última vez que viemos, encontrei uma polenta muito saborosa para vender em um restaurante vegetariano (Esquina de Las Flores) e estava morrendo de vontade de provar de novo. Nosso primeiro almoço na cidade foi lá e aproveitei pra levar o pacotinho de polenta.

Polenta nada mais é do que mingau de fubá. Mistura-se farinha de milho com água e o molho de sua preferência. No mercado é bem difícil encontrar polentas orgânicas, e enfatizo aqui que você deva consumir somente produtos derivados do milho se forem orgânicos!


A polenta que comprei aqui é orgânica e bem saborosa. Não chega a ser uma farinha, tá mais pra uma quirera, quando parece que os grãos do milho foram só quebradinhos. No Brasil já encontrei produtos da Ecobío com milho orgânico, inclusive a quirera. Mas essa receita pode ser feita com o fubá orgânico também.

img_2363

Cozinhar em uma cozinha que não é sua é uma aventura! Você vai descobrindo os utensílios, jeitos de ligar o fogão e vai tendo algumas surpresas e precisa improvisar várias coisas. Essa polenta foi bem despretensiosa, para uma noite entre amigos que não se viam há algum tempo. 🙂 E o resultado foi vinho, conversas, risadas e a barriga cheia de felicidade.

Compramos uma bandeja de cogumelos, um maço de espinafre, cebolas e alho na verdulería e uma lata de tomates pelados no mercado, pois não encontramos tomates muito bonitos. Uma receita de poucos ingredientes, mas você pode ousar nos temperos e ingredientes para o molho.

Encontrei uma panela nem muito pequena, nem muito grande e coloquei água para ferver. Quando ferveu, adicionei sal e a polenta e mexi até levantar fervura. Depois ficou fervendo mais uns 15 ou 20 minutos. Eu sempre faço polenta no olho, mas você pode calcular a proporção de 1 pra 4. 4 medidas de água pra 1 de polenta.

Para o molho, refogamos alho e cebola e adicionamos os cogumelos paris cortados em quatro. Já que estávamos bebendo vinho, aproveitei para colocar um pouquinho na panela também. Com as mãos, espremi os tomates da lata na panela e deixei ferver por 5 minutos. Ajustei o sal e coloquei as folhas de espinafre, que aqui são menos suculentas. Mexi até incorporar tudo e pronto! Que delícia 🙂

img_2366

Polenta com molho de tomates, espinafre e cogumelos

  • 1 litro de água
  • 250g de fubá ou quirera
  • 1 lata de tomate pelado ou 4 tomates italianos
  • 1 cebola em cubinhos
  • 4 dentes de alho picados
  • 1 maço de espinafre
  • 1 bandeja de cogumelos paris ou qualquer outro de sua preferência

Aqueça 1 litro de água em uma panela e quando ferver coloque o sal e o fubá e mexa até ferver e pegar consistência. Tampar e mexer de vez em quando por 15 a 20 minutos. Em outra panela, doure o alho e a cebola em azeite e acrescente os cogumelos. Acrescente os tomates picados e ajuste o sal. Deixe ferver por 5 minutos e junte as folhas de espinafre. Quando murchar, desligue o fogo e sirva com a polenta mole em uma cumbuca.

Jamie Oliver e a Sadia

Captura de Tela 2016-07-04 às 13.04.33

Print screen do vídeo da Sadia para o Youtube

No fim do mês, Jamie Oliver e a Sadia anunciaram na mídia uma parceria que irá lançar uma nova linha de congelados gourmet e saudáveis. Na sua página no Facebook, Jamie gravou um vídeo onde diz que a parceria prevê também programas educacionais em escolas, e que acompanhou de perto as granjas da Sadia e irá garantir que todos os seus produtos “usarão frangos com bem-estar animal”.

Uma rápida olhada nos último livros e programas de TV que Jamie lançou e já dá para entender que sua parceria com a Sadia é bem contraditória. Por que lançar uma linha de congelados (aka comida pronta) se uma das suas bandeiras é que cada vez mais as pessoas aprendam a cozinhar e comam comida feita em casa? Não consigo imaginar qual vai ser o slogan da campanha. E os programas educacionais nas escolas? Tudo com o logo da Sadia, e produtos da Sadia também? Ou seja, vão falar pras crianças: “Viu, gente, é muito importante cozinhar, mas quando der aquela preguiça, compra um congelado da Sadia”. A última propaganda que vi na TV da empresa foi aquela do pai que pergunta às crianças o que querem comer de janta (como se estivessem em um restaurante). E aí cada um escolhe: estrogonofe, frango assado e blablabla. Lembrei muito do experimento que Michael Pollan descreveu em seu livro Cozinhar, que inspirou a série do Netflix, Cooked.

Pollan resolveu testar se é realmente mais prático e rápido comprar comida congelada ao invés de cozinhar para a família em um dia de semana em sua casa. E adivinhem? Foi um fiasco. Primeiro: gastaram um tempo considerável no mercado escolhendo o que cada um ia comer. Chegaram em casa e cada embalagem ficou 20 minutos no microondas para descongelar. Ou seja, não conseguiram sentar à mesa juntos. O sabor da comida não era tão parecido quanto a foto da embalagem prometia. Ao final da noite, uma quantidade de lixo considerável havia se formado. No dia seguinte, Pollan fez uma carne de panela para toda a família e o resultado foi muito diferente. A comida era saborosa. E todos podiam compartilhar de uma mesma panela, mesa, momento, aquele sabor. Estavam juntos e podiam conversar sobre o seu dia. O lixo produzido eram as cascas dos vegetais e legumes e a embalagem da carne. E ainda sobrou comida para o almoço do dia seguinte. Ah, e o custo? Comer comida congelada é caro também. Comida caseira é mais barato e ainda sobra pro dia seguinte! Resumindo: é caro, não é bom para o meio-ambiente, nem para as relações familiares e nem preciso comentar todo os conservantes que a comida congelada tem. Ah, e claro, o sabor.

É, tá difícil me convencer que a assinatura do Jamie Oliver em uma linha de congelados é coisa boa. Para mim, a grande questão é que tudo isso nada mais do que é uma campanha de marketing. A Sadia não tá preocupada com sua alimentação nem com a sua saúde. Ela quer vender mais. Como o mercado para produtos mais “saudáveis” está crescendo, a Sadia está seguindo o mercado e espera ganhar mais dinheiro com isso. Fim.

E não deixa de ser preocupante. Jamie colocando a carinha fofa pela Sadia é um atestado de que a comida da Sadia é boa e aprovada por um chef que luta por alimentos mais saudáveis. Muita gente vai comprar achando que tá fazendo bem pra si mesmo. Só que não.

“Ahhhh, mas ele vai garantir que é tudo bonitinho, os frangos são cuidados, ingredientes selecionados, vai até ensinar as crianças a cozinhar, ó que fofo!”. Gente, não existe como fazer algo em larga escala, garantindo um padrão de uma forma sustentável e saudável. É assim que a indústria funciona. Você, consumidor, quer ir no mercado comprar a comidinha do Jamie e sempre que abrir a caixinha ter a segurança de que vai encontrar sempre O MESMO SABOR e APARÊNCIA, certo? Então, isso só é possível graças a todos os aditivos, conservantes, transgênicos, modos de produção e que custam muito CARO para nossa saúde e do planeta também. Quando compramos comida de verdade não temos a garantia de que sempre vamos ter o mesmo sabor e aparência, desde um tomate, até um queijo. Por que a vida é assim. A natureza é assim.

E por último, comida de verdade não precisa de propaganda. Já viram propaganda de cenoura? Então. Jamie, quer investir na saúde e alimentação dos brasileiros? Invista nos pequenos produtores, nos alimentos locais pouco conhecidos. Seja um ativista contra os agrotóxicos, lute contra o agronegócio. Não dê mais dinheiro a uma empresa que já faz tudo errado. Precisamos investir esse dinheiro nas pessoas que cuidam da terra. A revolução que você tanto reivindica não será feita pela indústria.

Para saber mais:

Sadia lança linha de congelados “saudável e gourmet” com Jamie Oliver

Parceria entre Jamie Oliver e marca brasileira provoca polêmica nas redes sociais

Jamie Oliver sacará línea con Sadia y levanta polémica

Jamie Oliver vira garoto propaganda da Sadia

 

 

 

Creme de mandioca com cebolas caramelizadas

IMG_2189

Essa sopa é super fácil de fazer, nutritiva e uma delícia.

Quem me inspirou foi minha mãe que me contou que deixou a cebola bem caramelizadinha e meus irmãos chatolengos que não comem cebola, nem perceberem o que era! Tem alguma coisa mais gostosa que cebola caramelizada? E nem vai açúcar, hein! Os açúcares naturais da cebola fazem todo o trabalho e deixam ela bem docinha.

Ah, na foto nem deu pra perceber que tem cebola, né? É que na hora de fome, coloquei um monte de coentro em cima (que eu adoro em sopa) hehe. Mas ela tá ali, escondidinha.

  • 700g de mandioca cozida
  • 3 cebolas grandes
  • 5 dentes de alho
  • sal, pimenta e coentro a gosto

Em uma panela grande, refogar em azeite as 2 duas cebolas em cubos com o alho até que tudo fiquei bem douradinho. Acrescentar a mandioca já cozida e mexer bem. Cobrir com água e deixar cozinhar por 15 minutos. Enquanto vai pegando sabor, cortar uma 1 cebola em meia lua e refogar no azeite em uma frigideira. Acrescente um pouco de sal para soltar a água da cebola e ir mexendo, controlando a temperatura do fogo, até que fique marronzinha. Bater a sopa no mixer ou liquidificador e voltar pra panela. Temperar com com sal e pimenta e ajustar a cremosidade. Se ficou muito cremosa, acrescente água filtrada, se estiver com uma consistência que goste é só servir com as cebolas por cima. 🙂