Abóbora assada com mel e balsâmico

Semana passada comprei meia abóbora cabotiá pra fazer a receita de curry vegetariano da Rita Lobo, que faz parte de uma série pro Youtube do canal Panelinha, o Em Uma Panela Só. Já pensando no jantar do resto da semana, reservei metade da abóbora na geladeira. Daí foi só descongelar o feijão vermelho orgânico já cozido, temperar com cebola bem fritinha, fazer uma farofinha com tomates em cubos e colocar a abóbora no forno. Pronto, almoço do sábado garantido e bem rápido!

A receita também é do site Panelinha e ficou deliciosa. Não achava que só um pouquinho de mel e balsâmico iam dar tanto sabor à abóbora, mas ficou ácido e doce na medida certa. A textura fica bem macia e ao mesmo firme, condensando todo o sabor da cabotiá. Para decorar, espalhei salsinha picada e sementes de girassol.

  • 1/4 de abóbora cabotiá
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
  • sal e pimenta do reino a gosto

pré aqueça o forno a 200C. Corte a abóbora em fatias de mais ou menos 2 cm. Misture o azeite, mel e balsâmico em uma tigela grande e coloque a abóbora, mexendo com as mãos para que pegue bem o molho. Coloque as fatias enfileiradas em uma forma e tempere com o azeite e sal. Leve ao forno e asse até que fiquem macias. (no meu forno demorou 45 minutos)

Outras combinações interessantes:

shoyu + azeite + gengibre picado + alho + gergelim

azeite + sal + tomilho

azeite + sal + páprica defumada

 

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Sorvete de banana caramelada

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Quando eu vi essa receita de Sorvete de Banoffee Pie do Prato Fundo semana passada, sabia que eu tinha que fazer o mais rápido possível! Desde que postei a receita da Dani Noce com a massa de fermentação natural aqui no blog, o gostinho de quero mais ficou no ar, mas nunca me animo pra fazer tortas (preguicinha, é verdade). Porém, desde que resgatei minha sorveteira da cozinha dos meus pais, decidi testar novas receitas, e essa pareceu perfeita!

Vou começar já dizendo que eu não achei nada parecida com a torta de banoffee que já tinha provado. Na receita que fiz, o recheio é de creme de confeiteiro com doce de leite e fica super leve, suave e não muito doce. Já a receita do Prato Fundo foi baseada em uma outra do Jamie Oliver em que a base é feita de caramelo de banana. Achei a ideia genial, pois o gosto da banana ficar super acentuado e delicioso.

Fiquei encucada com a referência de banoffee pie ser diferente para uns e outros. Fui pesquisar e no Wikipedia diz que a receita original foi criada no restaurante The Hungry Monk, na Inglaterra. A parte do toffee vem do leite condensado cozido por horas (na minha terra isso chama doce de leite, hehe) e a banana vem só por cima para decorar. Ou seja, acredito que o Jamie quis levar a palavra toffee (que é manteiga e açúcar) ao pé da letra e não usar leite condensado, criando um caramelo de banana. Achei a ideia incrível, porém com sabor bem diferente da tradicional.

Por conta de tudo isso, o título da receita se chamará sorvete de banana caramelada, pois acredito que o gosto da banana e o caramelo falem mais alto. Gostei muito do resultado. Ficou super cremoso e com um sabor maravilhoso de banana. Um pouco doce pro meu paladar, da próxima vez diminuo o açúcar, mas mesmo assim vale a pena. Ah, também acabei fazendo sem a bolacha maizena 🙂

Ingredientes

  • 150g açúcar cristal
  • 250g bananas nanicas maduras (ou 2 bananas médias)
  • 100g leite integral
  • 1 colher de chá de essência da baunilha (ou extrato, ou a fava)
  • 300g creme de leite fresco gelado
  • 15g açúcar refinado

Em um mixer ou liquidificador coloque as bananas picadas, leite e a baunilha (se usar essência, deixe a baunilha para colocar no final do preparo do caramelo). Bata bem até obter uma mistura homogênea e reserve.

Em uma panela alta, coloque o açúcar para caramelizar em fogo médio e mexa de vez em quando até obter um caramelo cor âmbar. (Eu tenho traumas com caramelos e esse passou um pouco do tempo, ficou um pouquinho amargo, portanto, não deixe queimar demais. 6 minutos teriam sido suficientes.)

Adicione a mistura de bananas e cozinhe por mais 6 minutos, até que tudo se dissolva bem. Tome cuidado nessa hora, o caramelo pode espirrar!

Desligue o fogo e transfira o caramelo para uma tigela e deixe esfriar completamente.

Enquanto isso, bata o creme de leite e o restante do açúcar em ponto chantilly. Incorpore o creme no caramelo frio, devagar e com paciência. A mistura ficará bem areada e leve. Transfira para um pote e leve ao congelador por 6 horas. Prontinho, nem precisa de sorveteira 😉 Fica super cremoso! E caso queira usar uma,  é só seguir as instruções do fabricante.

 

Legumes assados e tostados

Na escola onde trabalho toda semana tem feira orgânica. É uma delícia! As crianças adoram ficar atrás da barraca ajudando e brincando de feira. Há duas semanas encontrei cenouras bonitas, com as ramas, pequeninas, pedindo para serem levadas. Na hora me lembrei de uma receita da Vivian, do Francinha Cooks, de cenouras assadas. Levei. Cheguei em casa e cortei as folhas verdes, lavei bem, as enfileirei em um forma anti-aderente, coloquei sal, azeite e sumo de um limão e forno bem quente por 40 minutos (virando de vez em quando para dourarem por inteiro). Ficou tão bom que nem me lembro qual era o prato principal. As cenouras foram as estrelas.

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Também levei beterrabas naquele dia. E lembrei de outra receita, dessa vez da Dani Noce. Corte as beterrabas em gomos (não muito grandes) e coloque em papel alumínio.Tempere com sal, azeite, pimenta do reino e limão e feche formando uma trouxinha. Leve a forno bem quente por 40 minutos. Nham! As minhas até vazaram um pouquinho, queimando em baixo, criando uma crostinha ma-ra-vi-lho-sa. Viva a reação de Maillard!

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E pra completar minha semana apaixonada por legumes assados e tostados, comprei quiabos no mercado (desta vez não foram orgânicos0) e cortei no meio. Mais uma vez: sal e azeite e forno bem quente. Em 15 minutos estavam prontos! Lembrando de virar para tostar dos dois lados. Ficou super crocante, um sabor incrível! Eu amo quiabo de qualquer jeito, mas esse ficou bem diferente, vale provar.

Mesmo no calor que está fazendo aqui em São Paulo, não me arrependi de ligá-lo e cheguei a conclusão que os legumes são muito mais gostoso assados. Tudo muito simples e incrivelmente saboroso! Você pode variar os temperos, adicionando páprica, cúrcuma, orégano, alecrim, sálvia, manjericão, alho, shoyu, azeite balsâmico… e misturando com qualquer legume: batata, batata doce, berinjela, abobrinha, cebola, tomate, pimentão, abóbora, brócolis…o que você tiver em casa.

Queimadinho assim é sempre mais gostoso!

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Sobre imigração, comida e afeto

Eu ia deixar pra escrever esse post em um outro momento, mas as recentes notícias sobre a política de imigração impostas pelo Trump no Estados Unidos mexeram comigo. Quando construímos muros, construímos medo, insegurança e barramos pessoas, histórias de vida, cultura e afeto. Fico pensando o que aconteceria se essa lei fosse vigente no Brasil na década de 50 quando meus avós imigraram, ou durante as décadas de 70, 80 e 90 quando minha vó vinha todo ano nos visitar. Fico pensando nos vários iranianos e pessoas de outras nacionalidades que foram barradas de um dia para o outro nos aeroportos sem poder visitar netos, filhos e pessoas queridas. Escrevo a minha história de afeto para que possamos enxergar o outro e enxergar pessoas ao invés de vistos, documentos, carimbos, medo e terror.

Nessas férias eu decidi ir para a cozinha com a minha vó. Disse com todas as letras que queria aprender a fazer o meu prato preferido (que só ela sabe fazer). Minha vó é iraniana. Ela nasceu em Teerã e veio para o Brasil em 1953, com 15 anos. Casou com meu vô em 1958, também imigrante do Irã, mas que nasceu no Iraque, enquanto meus bisavós ainda buscavam um país para morar depois de deixarem a Rússia. Meu pai nasceu no Brasil em 1961 e quando minha avó se separou do meu avô, retornou ao Irã e se casou de novo. Quando eu nasci, em 1989, minha avó ainda morava lá, em um apartamento em Teerã com meu vôdrasto. Ela vinha nos visitar uma vez por ano e ficava por alguns meses. Era muito especial quando ela vinha. O vôo sempre chegava de madrugada e eu adorava ir junto. Adoro ir em aeroporto até hoje. Ela chegava com um sobretudo muito elegante, sapato elegante, maquiagem e perfumada. Aquele é o cheirinho da minha vó. Ela ficava lá em casa, tinha um quarto só pra ela. Desmontava as malas e tinham sempre presentes: algumas roupas e sacos e mais sacos de pistache! Era pistache garantido por alguns meses! E vários temperos para fazer comida iraniana: xarope de romã, lemou omani, chá, shambalileh, zereshk… 

E nas primeiras noites, eu insistia pra dormir junto com ela, preu vê-la se preparando pra dormir, tirando a maquiagem e passando um creme super cheiroso no rosto, depois, deitávamos na cama e ela me contava sobre todos os países que já tinha visitado e como era viver no Irã. Depois, rezava o pai nosso em francês e íamos dormir.

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Nos meses em que ela estava aqui, muitos jantares e almoços em família eram marcados, sempre regados a fartos banquetes. Muita comida iraniana! Mas, para mim, era a comida da minha vó. Naquela época eu não entendia que era parte da cultura de um país tão grande e rico. Parecia que era uma comida que só ela sabia fazer e que não se comia em mais nenhum lugar do mundo, pois era tão especial, que só ela poderia saber fazer.

O tempo passou, eu cresci, minha vó se mudou de vez para o Brasil com o marido, e em 2010 visitei alguns parentes da minha vó e vô nos Estados Unidos. Muitas pessoas que saíram do Irã naquela época, pediram imigração para o Brasil, EUA e outros países e a família acabou se dividindo. Quando entrei na casa de uma prima do meu vô em Los Angeles e senti o cheiro característico da casa da minha vó, de lemou omani, e em cima da mesa um banquete nos aguardava com potinhos coloridos, e uma insistência carinhosa de “come, não vi você comer nada!” – a mesma da casa da minha vó, foi que a minha ficha caiu de vez. A casa da minha vó faz parte de uma cultura. A casa da minha vó é um pedaço do Irã. A casa da minha vó é um pedaço da sua infância em Teerã.

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Depois, ainda descobri que Los Angeles abriga um bairro cheio de imigrantes iranianos com restaurantes e lojas de produtos que pareciam somente habitar as malas de viagem da minha avó. Que sentimento gostoso de pertencer a uma cultura. ❤ Ainda encontrei um livro de receitas persas em inglês que contém meu prato preferido: ghormeh sabzi. (se fala rôrmê sábizí) É um cozido de carne e ervas com feijão fradinho pra comer com pilav fresquinho. É a minha comfort food. Alguns dos ingredientes, como o shambalileh e o lemou omani só dá pra encontrar nessas lojas e infelizmente no Brasil não existe – a imigração iraniana é bem pequena por aqui. Porém, dá pra comprar pela Amazon e toda vez que alguém vai para os EUA, pedimos para trazer e reforçar o estoque.

Passei uma tarde com a minha vó fazendo o ghormeh sabzi. Foi como passar a tarde com um mágico aprendendo os truques de uma mágica da minha infância. Também foi um momento de aprender uma receita de família e que espero fazer para a minha família e um dia cozinhar esse prato para meus filhos e ensiná-los sobre nossas origens. Tenho muito respeito pela minha ancestralidade que caminhou terras muito longe daqui e que um dia também espero poder visitar: Iugoslávia (que nem existe mais), Rússia, Iraque, Irã, Armênia… sinto que esses lugares me habitam de alguma maneira. Agora, deixo a receita na versão vegetariana com vocês.

 

Ghormeh Sabzi

  • 1 xícara de feijão fradinho
  • 8 lemou omani (limões persa seco) ou suco de 1 limão
  • 4 colheres de sopa de óleo
  • 1 ramo de nirá fresco picado (folha japonesa, encontra-se na feira ou em lojas de produtos orientais) fresco picado
  • 4 ramos de salsinha fresca picada
  • água quente
  • sal a gosto

Na noite anterior, deixe o feijão de molho. No dia seguinte, cozinhe na pressão e dispense o caldo. Em uma panela grande, coloque o óleo e as ervas e deixe refogar em fogo alto por 10 minutos. Coloque os limões ou o suco do limão e acrescente água quente sem cobrir as ervas. Adicione sal e o feijão (aqui também pode-se colocar proteína de soja desidratada para substituir a carne). Deixe cozinhar por aproximadamente 40 minutos, mexendo de vez em quando e completando com água se necessário. Sirva quente com pilav.

Pilav

  • 2 xícaras de arroz branco
  • 1 batata cortada em rodelas (opcional)
  • 4 colheres de sopa de manteiga (opcional)
  • 1 colher de sopa de sal
  • óleo

Lave bem o arroz e deixe de molho por 20 minutos. Enquanto isso, aqueça água em uma panela grande. Quando a água ferver, adicione 1 colher de sopa de sal e o arroz. Conte 7 minutos e escorra. Na mesma panela, coloque óleo até formar um fina camada no fundo. Adicione as batatas em rodelas, tempere com um pouco de sal e coloque o arroz formando uma montanha. Nas laterais, coloque manteiga e cubra com a tampa da panela enrolada em um pano de prato para evitar que o vapor molhe o arroz. Cozinha em fogo baixíssimo por aproximadamente 20 minutos ou até que as batatas estejam cozidas e douradas.