Pão de cacau, mel e passas no bourbon ou pão do amor

Mês passado me atrevi a dar uma oficina de pão aqui em casa mesmo para algumas amigas professoras. Achei que seria interessante compartilhar minha experiência com as crianças na escola fazendo pão e é claro, esse conhecimento tão rico, simples e tradicional que é fazer pão com fermento natural. Dei o nome de “Oficina de pão e fermento natural para educadores” e foi uma experiência incrível. Eu fiquei tão feliz de cozinhar e repassar esse conhecimento para agora, adultos! Eu quero muito desenvolver mais oficinas, e por isso abri aqui em cima uma aba no menu do blog para aulas, cursos e oficinas. Se você tiver interesse em ter aulas comigo, clica lá em cima e entre em contato. A ideia é acolher as suas necessidades e fazer algo mais personalizado. Posso te ajudar com receitas vegetarianas, veganas, do dia-a-dia, receitas mais elaboradas ou o básico da cozinha mesmo. Também penso em oficinas para educadores. Algumas pessoas tem me procurado já há algum tempo com dúvidas sobre como e o quê cozinhar com as crianças na escola e esse tema me interessa muitíssimo. Me escreve e vamos conversar sobre as possibilidades. Estou muito animada!

Enfim, a oficina foi aqui em casa e contei com um ajudantes muito especial, o marido <3, que acabou aprendendo a fazer pães também. E como a criatividade aqui em casa é algo abundante, ele arregaçou as mangas e criou dois sabores incríveis! O primeiro foi de nozes e azeitonas pretas e o último que saiu do forno essa semana foi de cacau, mel e passas no bourbon. Gente, como ficou bom ❤ Super diferente e ao mesmo tempo simples. Adoramos a combinação! Usamos a receita que eu já postei aqui, que é semi-integral, mas pensamos que ficaria ótimo usando só farinha branca também. Mas vamos à receita:

1 1/2 xícara de farinha de trigo integral
1 1/2 xícara de farinha de trigo branca
1 colher de sopa bem cheia de cacau em pó
250ml de água
80g (1/3 de xícara) de fermento natural já refrescado
1 colher de sopa de sal
1 colher de sopa de mel
1 xícara de passas hidratas no bourbon

Misture as farinhas, o cacau e a água e deixe hidratando por 20 minutos. Enquanto isso, cubra as uvas passas com bourbon e reserve. Adicione o fermento natural e incorpore-o bem à massa. Adicione o sal e o mel e sove por 10 minutos. Escorra as passas e delicadamente misture-as na massa. Cubra com um pano e reserve até que dobre de tamanho (6 horas ou uma noite na geladeira). Enquanto isso beba o bourbon. 😛 Quando estiver bem fofo é hora de fazer as dobras de reforço: abra um pouco a massa com as pontas dos dedos puxe uma das laterais até o meio e faça o mesmo com a outra. Vire ao contrário e faça o mesmo. A ideia aqui é prender o ar dentro do pão. Nesse momento você também pode modelar o pão do jeito que quiser: redondo, comprido… Deixe descansar por 1 ou 2 horas. Faça um corte com faca ou navalha e coloque em forno pré-aquecido a 250 graus. Assim que colocar a assadeira no forno, borrife água com um spray para que a casca fique mais crocante. Asse o pão por 20 minutos e depois diminua a temperatura para 200 graus e depois mais 20 minutos. Deixe o pão esfriar em um grade para que termine o cozimento. Depois é só aproveitar 🙂

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Pasta de avelãs e cacau

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Essa receita é polêmica, rs. É conhecida pelo nome de nutella caseira, mas não vou chamar assim, pois na minha opinião, não ficou parecido com nutella. Não gosto de chamar as coisas mais saudáveis por nomes das coisas gordas, por que nunca vai ser igual. Tipo brigadeiro vegano… nunca vai ter o gosto do caramelo de leite do brigadeiro! Por isso tem que chamar de docinho… ou inventar outro nome, sei lá! rs

A principal diferença que notei, é que nessa receita o avelã é o ingrediente principal, e o seu sabor é super acentuado. Muuuuito diferente da nutella, que na verdade é um creme de chocolate com avelã e não ao contrário. (No rótulo, só indica 13% de avelãs). É quase uma peanut butter, mas na verdade é uma hazelnut butter com chocolate.

Ela ainda é mais polêmica, porque eu não gostei TANTO assim… Mas, como outras pessoas que provaram gostaram, achei que valia a pena postar aqui. Depois me contem se gostaram, ou se já fizeram outra receita que deu certo 😉

Usei 400 g de avelãs. Foram todas para uma assadeira em forno médio para tostar um pouquinho e facilitar a remoção das casquinhas. Depois de uns 15 minutos de forno, é só esfregar em um pano de prato limpo e as casquinhas vão sair. E não se preocupe em removê-las completamente, pois não sai tuuudinho mesmo. Outra técnica é colocá-las em um pote de vidro e chacoalhar bem.

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Depois, processe as avelãs. E não se desespere, pois essa parte demora mesmo (mesmo! tipo uns 25 minutos) mas uma hora a pasta começa a se formar. Acho que as minhas demoraram mais pois ficaram menos tempo no forno e estavam um pouco velhas, já.

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Depois que formar a pasta, adicione 1/4 de xícara de cacau e açúcar a gosto. Também pode-se usar mel, melado, stevia… você decide. Outra opção de usar chocolate amargo derretido ao invés de cacau em pó. Acho que fica mais gostoso 😉

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Pronto, é só guardar num pote de vidro bem limpinho. Pode comer com pão de fermentação natural, colocar no brigadeiro, chocolate quente….

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Raros Fazedores de Chocolate

 

Quando estava pesquisando sobre os expositores do Mercado Manual que aconteceu nos dias 29 e 30 de abril no Museu da Casa Brasileira, me deparei com o nome “Raros Fazedores de Chocolate”. Claro que fiquei super curiosa e minha vontade de conhecer a feira só cresceu. Mas, acabei chegando tarde e eles tinham ido embora 😦 o chocolate todo foi vendido! Ou seja, só fiquei mais curiosa e com mais água na boca ainda.

Os Raros Fazedores de Chocolate são, na verdade, dois agronômos (um casal <3) que resolveram fazer chocolate da forma mais pura possível. E conseguiram! A maioria das barras que produzem têm só dois ingredientes: cacau e açúcar. Como não amar?

Depois de alguns dias, descobri que os chocolates começaram a ser vendidos na loja A Queijaria, na Vila Madalena (perto do trabalho do marido! yay!) e então, pude experimentar um chocolate 100% puro e 100% brasileiro. Logo na primeira mordida, estranhei. Definitivamente o gosto não é de chocolate, ou pelo menos do gosto de chocolate que estamos acostumados a comer. É ácido e amargo, mas é bom. É de verdade! É esse o gosto do cacau. Forte.

Experimentamos o 66% feito com cacau de Linhares no Espírito Santo. Esse da foto é o 60% cacau e 20% castanha do Brasil, mais macio e um pouquinho mais suave. Porém a acidez ainda está lá.

O que eu mais gostei foi o conceito: fazer um produto artesanal, brasileiro, do jeito que se fazia há muito tempo atrás e que prioriza bons produtores de cacau. Esse jeito de fazer chocolate tem nome: bean-to-bar. Isso significa que o mesmo produtor seleciona as amêndoas de cacau, faz o processo da torra (a fermentação e a secagem é feita anteriormente, na fazenda), e a moagem, onde a gordura do cacau se liquefaz e se transforma no líquido dos deuses e está pronto para se misturar ao açúcar. Ahhhh, chocolate é uma coisa mágica mesmo. Não é a toa que os Astecas acreditavam que o cacau era um presente do deus Quetzalcoatl, deus da sabedoria.

Tudo isso pra dizer que: você precisa provar chocolate de verdade! É diferente de tudo que já experimentou antes. Talvez você nem goste, mas vale a pena sentir o gosto do cacau uma vez na vida, já que a maioria dos chocolates por aí tem tão pouquinho dessa fruta dos deuses.

Para saber mais:

Raros Fazedores de Chocolate
http://www.rarosfazedoresdechocolate.com.br

A Queijaria
http://www.aqueijaria.com.br/