Pão de queijo colorido

Na escola onde eu trabalhava, uma das professoras já tinha feito a receita de pão “falso” de queijo de mandioquinha da Bela Gil e foi um sucesso. As crianças e bebês adoraram e fica realmente muito saboroso. Nem dá pra sentir falta do queijo, mas é claro que você pode adicionar na receita caso não tenha nenhum tipo de restrição.

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Na semana passada, decidi testar a receita com uma aluna particular e resolvi incrementar um pouco, fazendo suco de beterraba e couve para tingir os pãezinhos. Eles ficaram lindos e bem gostosos. Acabaram murchando um pouco quando saíram do forno, mas comemos todos quentinhos mesmo assim.

É uma ótima ideia pra fazer com as crianças na escola e explorar os alimentos que podem servir de tintas naturais nas receitas… tudo sem corante artificial, por favor!!

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Aqui vai a receita, da própria Bela Gil. Para os pães de beterraba e couve, substitua a mandioquinha por batata ou batata doce e a água pelo suco dos dois vegetais.

  • 200g de polvilho azedo
  • 300g de polvillho doce
  • 150ml de azeite de oliva
  • 500g de mandioquinha (cozida e espremida) (use batata se estiver fazendo os pães coloridos)
  • 1/3 de xícara de água (para fazer pães coloridos, use suco de beterraba ou couve)
  • 1 colher (chá) de sal marinho
  • 1 colher (sopa) de orégano, alecrim, manjericão ou açafrão da terra (para ficar mais amarelinho)
  • 200g queijo ralado (opcional)

Misture todos os ingredientes, deixando a água ou sucos por último para dar o ponto (desgrudar das mãos). Se quiser, adicione o queijo ralado. Faça bolinhas e leve ao forno pré-aquecido a 180C por 20 minutos, ou mais para dourar. Se sobrar muito, coloque as bolinhas de massa não assadas enfileiradas em um forma no congelador e após 3 horas transfira para um saquinho. Perfeito pra lancheira das crianças ou café da manhã.

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Creme de mandioca com cebolas caramelizadas

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Essa sopa é super fácil de fazer, nutritiva e uma delícia.

Quem me inspirou foi minha mãe que me contou que deixou a cebola bem caramelizadinha e meus irmãos chatolengos que não comem cebola, nem perceberem o que era! Tem alguma coisa mais gostosa que cebola caramelizada? E nem vai açúcar, hein! Os açúcares naturais da cebola fazem todo o trabalho e deixam ela bem docinha.

Ah, na foto nem deu pra perceber que tem cebola, né? É que na hora de fome, coloquei um monte de coentro em cima (que eu adoro em sopa) hehe. Mas ela tá ali, escondidinha.

  • 700g de mandioca cozida
  • 3 cebolas grandes
  • 5 dentes de alho
  • sal, pimenta e coentro a gosto

Em uma panela grande, refogar em azeite as 2 duas cebolas em cubos com o alho até que tudo fiquei bem douradinho. Acrescentar a mandioca já cozida e mexer bem. Cobrir com água e deixar cozinhar por 15 minutos. Enquanto vai pegando sabor, cortar uma 1 cebola em meia lua e refogar no azeite em uma frigideira. Acrescente um pouco de sal para soltar a água da cebola e ir mexendo, controlando a temperatura do fogo, até que fique marronzinha. Bater a sopa no mixer ou liquidificador e voltar pra panela. Temperar com com sal e pimenta e ajustar a cremosidade. Se ficou muito cremosa, acrescente água filtrada, se estiver com uma consistência que goste é só servir com as cebolas por cima. 🙂

Estrogonofe de palmito

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É, eu acabei de escrever no último post que não gosto de dar o mesmo nome pra pratos versão natureba, mas devo dizer que esse estrogonofe tem gostinho do que eu comia na infância, então, por isso, me reservo o direito de chamar essa receita de estrogonofe! 😀

Desde que parei de comer carne, sempre senti falta do molhinho rosinha do estrogonofe, mas mesmo com vontade de comer, não consigo engolir a carne. Quando encontrei essa receita foi pura felicidade! Já variei bastante os ingredientes: ao invés do palmito, usei abobrinha, abóbora menina, cogumelos… geralmente algum legume mais durinho.

Na semana passada achei o palmito pupunha fresco no mercado (e num preço bom) e testei pela primeira vez sem o palmito em conserva e ficou muuuito melhor. Para acompanhar sempre faço umas batatas no forno com alecrim, sal e azeite. Pode ser batata doce ou asterix e de vez em quando também gosto da palha 😀

Ah, também dá pra tirar o creme de leite e colocar leite de coco ou algum leite vegetal.

Então vamos para a receita!

  • 400g (ou 1 vidro de palmito, 1 abobrinha e 1 bandeijinha de cogumelo paris fresco)
  • 1 cebola e 2 dentes de alho picados
  • 2 col. de sopa de extrato de tomate
  • 1 tomate maduro picado (opciona)
  • sal e pimenta a gosto
  • 1 caixinha de creme de leite
  • 1 xícara de água

Refogar a cebola e o alho com um pouquinho de azeite. Acrescentar o tomate e deixar cozinhar bem. Adicionar os legumes que você escolheu e refogar. Adicionar o extrato de tomate e água, temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar com a tampa por 5 minutos. Desligar o fogo e acrescentar o creme de leite. Misturar e servir! Hummm

Suco do sol ou Limonada de açafrão da terra com gengibre da Paola

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Quando fiz a aula com a Paola no Ateliê Muriqui (contei sobre isso aqui), ela preparou essa limonada logo no começo, para nos receber. Eu nunca tinha imaginado fazer um suco de cúrcuma, afinal, essa especiaria é mais conhecida por nós em currys e pratos salgados. Mas não é que fica muito gostoso? É um sabor super diferente e nosso paladar precisa se acostumar, mas com a ajuda do gengibre e do limão fica mais fácil 😉

Recentemente a Bela Gil postou um vídeo no seu canal do Youtube sobre os benefícios da cúrcuma, e ela diz que alguns estudos apontam que ela é mais eficaz do que o ibuprofeno e é super antibacteriana e anti-inflamatória, assim como o gengibre. Nesses dias frios que tem feito em São Paulo, a sinusite insiste em me perseguir, por isso estou fazendo o suco (quase) todos os dias. No primeiro, coloquei muito limão e ficou bem forte, da segunda vez usei abacaxi para adoçar e ficou perfeito. Aliás, a versão com abacaxi está no cardápio do Arturito 😉

  • 1 pedaço de cúrcuma pequeno (umas 4 rodelas) ou 1 colher de sopa rasa de cúrcuma em pó
  • a mesma quantidade de gengibre
  • 1 limão espremido (pode ser qualquer tipo, tahiti, cravo ou siciliano)
  • 1 copo de água ou água de coco
  • mel ou melado a gosto (opcional)
  • 2 rodelas de abacaxi (opcional)

Bater tudo no liquidificador bastante. Não precisa coar 😉

Rende 1 copo.

Saúde!

Sopa Mágica

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Em um domingo à noite, friozin, já cansados passamos no supermercado. Aquele pesar de ser quase segunda-feira já pairava no ar. Olhávamos o preço dos produtos, e o desânimo tomava conta. Banana para a semana, tá faltando cândida, não esquece de pegar a farinha! Hora de ir pro caixa. Peraí, o que vamos comer de janta? Peguei um pacote de ervilha, uma cenoura e uma maço de coentro. Vamos, que hoje vai ter sopa! E aí o clima já mudou… vai ter sopa! ❤

Fazer sopa, ou um bom cozido de panela, também é algo mágico. Tudo numa mesma panela e em pouco tempo ter algo tão gostoso e que esquenta não só o corpo, mas a alma… só pode ser magia! 🙂 Fora que nesse dia também me senti um pouco maga ou bruxa colocando temperos no caldeirão, fazendo cheiros, texturas e mexendo tudo com a colher. (filha de bruxinha, bruxinha é, né mãe? Aliás, as sopas da minha mãe são sempre as mais gostosas!!)

Primeiro, refoguei a cebola, alho e a cúrcuma. Adicionei sal, páprica picante, um pouco de cominho e da cebolinha e os talos do coentro. Deixei que tudo ficasse dourado, cortei as cenouras em rodelas e coloquei junto com as ervilhas. Cobri com água e fechei a tampa da panela de pressão, por conta do tempo. Depois de 20 minutos, tudo tinha secado e grudado um pouquinho no fundo. Mas sem desespero. Adicionei água quente e bati tudo no liqüidificador. Acertei o tempero e servi com um fio de azeite, páprica e folhas de coentro. Amor na tigela. Estávamos prontos pra comer a semana. ❤

 

 

Simpleza

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Desde o primeiro episódio de MasterChef Brasil eu me encantei pela Paola Carosella. O jeito como falava com os competidores e sobre os alimentos era muito especial, mas até então nunca nem tinha ouvido falar de Paola. Joguei no Google e apareceu uma reportagem dizendo que ela não tinha TV (já me apaixonei). Logo em seguida, o site de seu restaurante, Arturito. O layout, delicado e simples. A descrição do cardápio só confirmou que o seu trabalho era especial. Adorei ler: sorvete de baunilha artesanal, ovos de galinhas felizes, verduras orgânicas… ❤ Desde então, passei a acompanhar seu trabalho.

Eu e meu marido fomos ao seu restaurante comemorar o meu aniversário e foi um baita de um presente! Comida fresca, simples e orgânica definitivamente fazem a diferença. Provar o menu foi como receber um abraço. Saímos encantados com a comida. Depois, no Natal, levamos um presente para ela: o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, ideia do marido <3.

Não sabíamos se a Paola iria estar no restaurante naquele dia. Mas para nossa surpresa, ela apareceu na área de espera do bar, com um avental, lenço na cabeça e um pano nas mãos, limpando a mesinha de centro e nos cumprimentando com um sorriso e um olá. Ela recebeu o livro e ficou muito agradecida, disse que já tinha ganhado um, mas que ia deixar um em casa e outro no restaurante. Logo depois, recebeu uma menina de uns 10 anos que estava super emocionada, a abraçou e foi super atenciosa.

No começo de 2015 tive o privilégio de assistir sua primeira aula de empanadas na Livraria da Vila. Ali eu pude conhecer um pouquinho mais da Paola: que mulher forte, determinada, autêntica e generosa! Nada de maquiagem e roupas chiques como no programa. A Paola é ela mesma e não esconde. “Venham aqui perto pra ver as empanadas! Quem quer me ajudar?”

Depois de uma aula tão valiosa, tive um insight. Naquele ano eu e Thiago estávamos nos planejando para casar. Queríamos fazer uma coisa simples, para poucas pessoas e com comida verdadeiramente boa. Não era fácil achar um lugar que se encaixasse nesses padrões. Quando se fala em casamento tudo fica caro, luxuoso e cheio de firulas sem significado algum para nós. Enquanto degustávamos as empanadas, o Thiago chegou para me buscar. Peguei na sua mão e disse: “Vamos perguntar para a Paola! Ela vai saber de um lugar bom!”. Iniciamos a conversa e ela sugeriu o restaurante Mangiare, do seu sócio.

E no final, nos casamos lá e foi tudo como queríamos ❤ Comida italiana servida em grandes travessas (e quantidades!), com ingredientes simples, porém de qualidade, e com nossos convidados compartilhando duas grandes mesas no salão do restaurante. Ai, se não fosse a Paola….

VF Fotografia - 2015-08-08 - Casamento Giulia e Thiago (Mangiare) (164)

(quem quiser saber mais sobre o casamento tem um post aqui.)

Quase um ano depois, encontrei a Paola novamente. Em uma aula no Ateliê Muriqui na Vila Madalena. Entre as panelas, Paola parecia estar na cozinha da sua casa, nos ensinando receitas simples que ela mesma faz no dia-a-dia. Qualquer dia posto uma delas aqui… ❤

Ao final da aula, esperei todos falarem com a Paola para chegar a minha vez e agradecê-la. Ela se lembrou de mim, perguntou como foi o casamento e eu disse que só queria agradecer pois foi tudo como eu sonhei, e o mais importante: simples, singelo, cheio de significado para nós, e com a comida honesta e boa como queríamos. Ela me ouviu, me olhou e disse: “Parabéns por escolher a simpleza.” Meus olhinhos se encheram de lágrimas (e os do Thi também quando eu contei) e pedi uma foto.

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Simpleza. Escolhi a simpleza… e a Paola Carosella estava me dizendo isso. Naquele momento, muitas coisas que eu já buscava se confirmaram para mim. Uma vida mais simples, ligada aos saberes mais tradicionais que nos tocam lá no fundo, pois são sabedorias antigas e essenciais do ser humano. Uma vida com menos consumismo, extremismos, menos ligada ao dinheiro e aos bens materiais. Uma vida que nos conecte ao que é essencial e não ao supérfluo, que se baseie nas relações, nas conversas, nas pessoas, na natureza. E para mim a simpleza está em tudo, mas é na minha relação com a comida que ela fica mais forte.

E por isso o nome do blog será Simplezas. Uma homenagem a ela. Gracias Paola ❤

Simpleza

s.f. Qualidade daquilo que é simples; característica do que não é complexo; desprovido de complicação.
Que não é composto.
Falta de luxo; sem sofisticação.
Modo de se comportar espontâneo; falta de pretensão.
De natureza autêntica; que não se altera por componentes exteriores.
Modo autêntico e espontâneo de se expressar (falar ou escrever); elegância.
Característica, particularidade ou natureza da pessoa sincera; franqueza.

Sopa de abóbora com gengibre

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Abóbora cabotiá, coentro, cebolinha, gengibre, cúrcuma (achei a cúrcuma na Feira Orgânica do Ibirapuera, em São Paulo), cebola e alho.

Corte a cebola em cubos e ligue o fogo. Quando a panela esquentar, jogue azeite (o suficiente para cobrir o fundo da panela com uma fina camada) e refogue a cebola. Se começar a fritar muito rápido, abaixe o fogo e adicione uma pitada de sal. Isso vai fazer a cebola soltar água e não queimá-la. Eu gosto de colocar o alho só depois da cebola estar bem douradinha (já queimei muitos pedacinhos de alho antes…) mas isso vai do gosto de cada um.

Coloque a abóbora cortada em cubos grandes. Se for orgânica, pode colocar a casca junto! Se não vai dar um pouco de trabalho tirá-la, mas não deixe de fazer você mesmo. Quando fui comprar essa abóbora da foto, passei pela prateleira dos “já-embalados-descascados-e-cortados” pra descobrir que o preço da cabotiá fica R$85 o quilo!!!! Além de produzir mais lixo (bandeijinha de isopor) e te poupar de tocar no alimento para prepará-lo (é só jogar direito na panela), ainda sai bem mais caro pro seu bolso.

Continuando… Misture bem com uma colher e adicione os talos do gengibre e a cebolinha picados. Você pode usar uma tesoura e ir cortando direto na panela (Santa Nigella!!). Depois, coloque a cúrcuma e o gengibre em rodelas pra dourar também. Sal e pimenta a gosto e cubra com água. Tampe e espere até tudo ficar macio.

Depois é só bater tudo no liquidificador ou usar um mixer de mão (muuuuito prático!) e servir com uma fio de azeite, páprica, cebolinha e coentro frescos e um bom pão. hummmmmmmmm

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gente, eu não ia colocar a receita certinha, pois não é assim que eu faço. mas, vou tentar organizar aqui pra vocês:

Sopa de abóbora com gengibre

  • meia abóbora cabotiá cortada em cubos (300g a 500g)
  • um pedaço de gengibre de 3 cm em fatias
  • um pedaço de cúrcuma de 3 cm em fatias (ou 1 colher de de chá cheia de cúrcuma em pó)
  • 1 cebola cortada em cubinhos
  • 2 dentes de alho (ou mais… eu coloco bastante :D)
  • 1 maço de coentro
  • 2 talos de cebolinha
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • sal e pimenta a gosto
  • 1 litro de água

Refogar tudo em uma panela com azeite e cobrir com a água. Espere que tudo fique macio e bater no mixer.